segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

GELADEIRA

Há tempos pensei em realizar alguma intervenção urbana que pudesse interagir (fisicamente) com o transeunte. Daí surgiu a GELADEIRA.
Em breve pretendo realizá-la. Abaixo um breve descritivo.





GELADEIRA - INSTALAÇÃO
Uma geladeira usada, com ímãs fixados na porta que vendem pistoleiros de aluguel, sexo corriqueiro, dinheiro fácil. Ofertas absurdas para um ímã de geladeira, misturadas com ofertas comuns: fast food, cooperativas de táxi, drogarias etc. Transpor essas ofertas inesperadas para a porta de uma geladeira banaliza o que parece absurdo, mas que é real, existe. A mistura com propagandas comuns a esse tipo de "veículo" questiona um mundo fictício. Até onde essa obra de ficção é distante do nosso dia-a-dia? Questiona os valores da existência no espaço e no tempo, trazendo um futuro presente nos dias de hoje. Com esse embate do improvável que está pronto para existir, se estabelece uma dúvida com relação aos valores da existência.
A geladeira está trancada. Fechada com um cadeado. E não existe uma chave que possa desvendar o que existe dentro, existem centenas de chaves no chão (idéia do projeto original que, indo pra rua, deve subir para as paredes), gerando um contra-ponto entre vida (sobrevivência) e morte. A geladeira, utilizada como veículo para essa argumentação representa a subsistência. A partir disso a sensação de impotência é questionada. A comida, símbolo mais cru da continuidade da vida, não está acessível. Centenas de chaves no chão representam as inúmeras possibilidades de erro. Uma delas abre o cadeado.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

CABEÇAS

Nada tem a ver com o projeto, mas achei pertinente inserir algumas cores dentro desse universo etéreo.





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

ELEVADOR

Mais um da série celular.
Fazer a mesma coisa todos os dias é uma espécie de nada absoluto.

[O elevador é um dispositivo de transporte utilizado para mover bens ou pessoas verticalmente. Levando-se em conta o número de pessoas transportadas, a distância percorrida e o número de elevadores no mundo, o elevador é de longe o meio de transporte mais seguro do mundo.]

É seguro compartilhar com meios seguros?


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

CANTOS

Voltando ao nada.
Alguns meses atrás corri atrás dos cantos da parede. As formas geométricas, os encontros congruentes e a diferença na incindência da luz me seduziram. Saquei meu celular e comecei a fotografar. Não me importei com a má qualidade da câmera. A idéia central estava na junção das formas, a partir dos cantos da casa.
Ontem me lembrei desse dia. Morando em outro apartamento. Dessa vez com algumas cores. Uma tentativa neoconcreta (?)...
Continuarei tentando.





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

MAIS UM CONCEITO

"No nada não existe nem o espaço, isto é, não há coisa alguma e nem um lugar vazio para caber algo. O conceito de nada inclui também a inexistência das leis físicas que alguma coisa existente obedeceria, dentre elas a conservação da energia, o aumento da entropia e a própria passagem do tempo. Sendo o espaço o conjunto dos lugares, isto é, das possibilidades de localização, sua inexistência implica na impossibilidade de conter qualquer coisa. Isto é, não se pode estar no nada. O nada é, pois, um não-lugar."

SEGUNDO A WIKIPEDIA.

ATEU



A primeira, intitulada ATEU.
Um ciclo com reencarnação para o próximo ciclo. Independente da religião.

EM FASE DE CONSTRUÇÃO AGUDA

Como um bom mutante, o assunto em questão está em eterna construção (ou desconstrução)?
Embora nenhuma obra tenha dado as caras, já achei "links relacionados". Pode ter a ver, pode não ter, mas a idéia filosófica sobre o vazio e o cheio agrada.

Abaixo as referências:

1) Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que vendo não vêem. A mulher do médico levantou-se e foi à janela.[...]. Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o branco. Chegou a minha vez, pensou. O medo fê-la baixar os olhos. A cidade ainda ali estava. (Saramago, 1995: 310).

2) http://www.arte.abstrata.nom.br/analise.html

COMO?

Para dar vida ao projeto ONADA, usarei algumas formas de expressão.
Não sei se podemos chamar de artes plásticas, de intervenção urbana, de "que porra é essa?"
Os meios desenvolvidos para transpor o projeto para o mundo real são variados.

Se vasculharmos um dicionário de artes-plásticas vamos cair no site specific, mesmo que, para isso, tenhamos que abrir o significado da arquitetura formal. Talvez isso não seja possível. Se colocarmos as ruas, as paredes ou mesmo a própria internet como meio físico habitável, criaremos um grande invólucro desconfortável.

Tudo bem, sem definições até então.

PROJETO ONADA

ONADA é um projeto sobre a invisibilidade do tempo e suas consequências. Não se trata do vazio absoluto, nem do silêncio da solidão. ONADA é um conjunto de ações sobre o nada, que não levam a nada, para, consequentemente, se chegar a lugar algum. Uma tentativa (em vão) de preencher (às avessas) um vazio existencial.

Descrever ONADA é redundante e contraditório, mas necessário num espectro onde almejamos globalizar um mundo que vive de moda, de interações, de contatos físicos e virtuais, que constrói vigas de concreto bruto, tanto para erguer palácios, quanto para se proteger dos palácios erguidos.

Um exercício para sumir com o homem, para apagar tudo que foi idealizado por ele, fantasmagoricamente. O mundo do homem invisível, dos sentimentos vazios, da visão do útil pelo inútil. Sem credos, sem moedas, sem televisão, sem carros, sem consumo, sem teorias, sem fórmulas, sem futebol, sem sons.

ONADA é sobre aquele breve momento que existe entre o deitar e o dormir, quando esvaziamos a cabeça para apagar tudo, visando o dia seguinte.